terça-feira, 15 de setembro de 2009

Shadow Complex

Shadow Complex é o jogo que eu esperei por quase 20 anos. Pode soar como alguma loucura profética, de alguma maneira, eu sabia que um dia ele viria. É por isso mesmo que, em vez de partir diretamente para a avaliação deste game, eu vou antes fazer uma rápida viagem no tempo.

Ainda me lembro dos tempos de infância e pré-adolescência, quando jogar o velho NES de 8 bits e, logo depois, Super NES de 16 bits, podia sempre me tomar uma tarde inteira de muita disposição, pipoca e leite achocolatado. Já naquela época, eu vislumbrava um futuro de games incríveis com gráficos super realistas e efeitos especiais inacreditáveis. O que seria de Castlevania 20 anos depois? E o que dizer de Metroid, Flashback, Contra e outros clássicos do mesmo porte?

Preso às possibilidades daquele tempo, minha imaginação não era capaz de prever muito além dos então comuns side-scrolling (jogos com perspectiva lateral, com o personagem caminhando e pulando em plataformas). Menos ainda que eles seriam quase que totalmente enterrados e esmagados por jogos em primeira pessoa em que todos os elementos gráficos são de fato construídos em três dimensões. Aliás, tamanha foi a evolução nesse espaço de tempo que três dimensões é hoje algo tão banal que o próprio termo “3D” não nos desperta mais tanto interesse.

Tendo isso dito, posso voltar ao presente e afirmar com convicção que Shadow Complex é o jogo que eu imaginava como o limite máximo da perfeição quando eu tinha 11 ou 12 anos. É a experiência sublime que eu tanto aguardei, de gráficos realistas, animações detalhadas, efeitos de luz, sombra e fumaça e um enredo digno de cinema. Digo isso com a perspectiva de quase 20 anos atrás - porque dado o que eu expliquei, considero que ela seja válida - e também com a perspectiva atual, consciente de todos o avanços dos jogos. E olha que estamos falando de um "simples" side-scrolling disponível para compra por download e não de um jogo que ocupa duas camadas de um DVD.

Dando início ao enredo, você não é nenhum herói. Não embarca na aventura de capacete, armadura ou arma. É apenas um rapaz bonzinho, indo com a sua namorada explorar uma caverna num bosque qualquer da costa oeste dos EUA. Engraçadinha, ela logo deixa você para trás, embrenhando-se cada vez mais nas profundezas das rochas. E você, minutos depois, sem qualquer sinal da sua garota, fica confuso, sozinho e apenas com uma lanterna na mão. Não adianta gritar. Agora a escuridão da caverna só responde com silêncio. Sua namorada sumiu. Após uma breve caminhada você dá de cara com uma porta automática de metal. É entrar por ela que fica claro que algo estranho está acontecendo ali. Até onde se consegue ver, as salas estão cheias de computadores, tubulações e câmeras de monitoramento. Um projeto top secret? Uma instalação bélica? Com os primeiros tiros dados contra você, e melhor deixa para pensar sobre isso depois Você não está mais sozinho e é correr e se esconder para não morrer.

A jogabilidade segue a de clássicos como Metroid, Flashback e Castlevania. A ação lateral não é contínua e sim dividida por telas, com a câmera quase sempre parada. Não basta apenas seguir o seu caminho, já que para ter acesso a algumas áreas você precisa se equipar com novos acessórios, como mochila de alpinismo, um futurista jet pack, granadas e muitos mais. Ou seja, frequentemente é necessário retroceder no seu percurso, já que lá atrás, minutos antes, você não conseguia passar por uma determinada porta ou entrar em alguma tubulação.

Embora seja em teoria um jogo lateral 2D, a prática é um pouco diferente. Seus inimigos, por exemplo, circulam livremente pelos cenários, subindo escadas e caminhando para o fundo das salas, detalhe que frequentemente causa alguma confusão, mas que inevitavelmente apresenta um desafio extra. Você próprio, em alguns momentos, tem novas perspectivas de visão, algumas até mesmo em primeira pessoa, mas estes não passam de pontos isolados da história.

O mais surpreendente sobre os gráficos de Shadow Complex é que eles foram desenvolvidos em cima da Unreal, a mesma engine de dezenas de grandes jogos de first-person-shooters atuais, como as séries Call of Duty e Gears of War. Por isso mesmo, você é algumas vezes surpreendido por pequenos interlúdios animados que evidenciam que, embora side-scrolling, Shadow Complex tem por baixo do capô um belo motor gráfico trabalhando a todo vapor.

A trilha sonora não é exatamente musical, já que praticamente não há músicas. Mas o silêncio do jogo, interrompido apenas pelos sons de água das cavernas, computadores e máquinas acaba sendo um elementos essencial para a imersão do jogador na ação e no suspense da trama. E nos momentos certos entram músicas sombrias acompanhadas daquela deliciosa sensação de “ufa, passei dessa parte”.

Ignorando as grandes referências do passado, Shadow Complex peca em um detalhe: é muito fácil. Os mais dispostos serão capazes de terminar o jogo em apenas uma investida, já que a ação completa não deve durar mais do que 4 ou 5 horas. Além disso, alguns dos “chefões” não escondem muito seus pontos fracos e ficam longe, mas muito longe, da dificuldade que os chefões old-school da década de 80 e 90 esbanjavam. É um pouco da mesma fórmula de sempre, é verdade, mas quando nostalgia é a palavra-chave, “a fórmula de sempre” não é de todo um incômodo.

Disponível online através na biblioteca Live Arcade, Shadow Complex custa razoáveis 1200 Microsoft Points (entre 10 e 15 dólares) e ocupa cerca de 800 Mb no seu disco rígido. Alguns poderiam até dizer que o game é um destaque da Live Arcade, considerando os muitos outros jogos retrô disponíveis online para para o XBOX 360, mas a verdade é que o trunfo da Chair/Epic neste caso é maior. Shadow Complex pode, sem sombra de dúvida, ser considerado um destaque da biblioteca inteira do XBOX 360. Ele briga de igual para igual com muitos outros grandes lançamentos em DVD e prova que a época dos side-scrolling pode estar voltando.

Para quem não lembra, Castlevania e algumas outras velhas franquias até tentaram se estabelecer no mundo do 3D, porém sem muito sucesso. A verdade é que, na essência, alguns vão ser side-scrolling para sempre. Isso é o que nós, os nostálgicos, pelo menos, esperamos. E Shadow Complex, mesmo sendo dos dias de hoje, é muito bem-vindo ao clube.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Eine Kleine Nacht Musik - Eine Kleine Nacht Musik

Não se deixe enganar assim tão facilmente pelo nome. O Eine Kleine Nacht Musik pode até, por um breve instante, levar você a achar que o negócio em questão é música clássica, mas fique logo sabendo que o nome da serenata de Mozart é só um disfarce bem-humorado. A verdade por baixo dos panos e entre dezenas de fios de vários sintetizadores é que o Eine Kleine Nacht Musik é um projeto de música eletrônica. E quando digo música eletrônica aqui, faço questão de voltar algumas décadas no tempo, para quando os vovôs do Kraftwerk ainda nem sonhavam em ser papais e experimentavam sintetizadores analógicos de trinta quilos, alguns construídos por eles mesmos.

Não é exagero então dizer que o Eine Kleine Nacht Musik é um sítio arqueológico de música eletrônica, mais especificamente da alemã. Além de vestígios fósseis dos primeiros sintetizadores, você ainda encontra, bem espalhadas, influências do kraut-rock, que no inicio da década de 70 levou o rock alemão a experimentar a eletrônica. Poder-se-ia dizer então, com o perdão da mesóclise, que mais alemão que isso, impossível. Sim, em termos. Mas o responsável pela obra, pelo menos neste caso, é o inglês Henry Smithson, figura já conhecida na eletrônica como Riton. E Smithson, embora as referências possam levar a crer, não é um quarentão ou cinquentão; é um rapaz nascido em 1978; ou seja, ainda estava no berço quando a eletrônica já tinha aprendindo a falar e andar e já estava em fase de crescimento.

Smithson abre o disco com Ertrinken, mantendo um oscilante e ressonante timbre de sintetizador (provavelmente algum pad do tipo sweep), enquanto novos sons e um vibrante prato de bateria ajudam a construir um certo ar místico. E quando a bateria - orgânica, sim senhor - entra em cena, fica a surpresa, principalmente para aqueles que, por costume, já estariam esperarando batidas eletrônicas. Feuerprobe, pelo contrário, já mostra os kicks e snares sujos de alguma drum-machine, com um arpejo logo dando as boas-vindas a mais um exercício de knobs e filtros.

É em Finster que ficam claras as primeiras influências de Kraftwerk, já que os timbres de metais eletrônicos constroem a melodia de um jeito muito parecida ao que faziam os alemães. Götterdammerung (alguém aí disse Wagner?), logo em seguida, traz um arpejo provavelmente randômico executado num tempo esquisitíssimo, que levaria algum tempo para se acomodar aos ouvidos, não fosse a belíssima melodia que começa para facilitar o processo. Em Die Fontäne e Bardolator, bem ali no meio do disco, os arranjos de cítara parecem pedir que você pare por um instante e medite. Eu, pelo menos, precisei de alguns minutos para acreditar que estava escutando sintetizadores acompanhados de uma cítara.

A partir de Fageschäft, além de sensacionais timbres analógicos, ficam frequentes também as lembranças de computadores e videogames antigos (Commodore 64 e Nintendo), com sons bem típicos dos velhos 8 bits. Um prato cheio não só para os amantes da eletrônica, mas também para os excessivamente saudosista.

Eine Kleine Nacht Musik não deixa dúvidas de que Henry Smithson, de tão apaixonado pela eletrônica, não conseguiu se contentar com o house e electro que produzia sob o nome Riton. E deixa claro também sua aptidão para a pesquisa, já que com seus 31 anos de idade, ele obviamente nem teve chance de vivenciar pessoalmente suas influências em seu contexto original. É um disco que pode soar velho e arcaico para alguns, mas ser um mergulho nostálgico num passado fascinante para outros. E se você, como eu, não vivenciou o inicio da música eletrônica, essa nostalgia pode ser mais interessante ainda. Nada vai soar repetitivo.

domingo, 19 de julho de 2009

Sébastien Schuller - Evenfall

Sébastien Schuller pode ter dados seus primeiros passos na música como um percursionista, mas é provável que em pouco tempo seu foco instrumental inicial não mais desse vazão à sua vontade de criar. Classicamente treinado, o jovem francês partiu para outros instrumentos, explorando novos sons e possibilidades, descobrindo-se o dono de uma sensível e elegante alma pop. Não tardaria a se sentir no quase dever de criar sozinho a música que começava a aflorar.

Após a estreia solo com Happiness, um disco maduro - e lindo - o suficiente para se passar facilmente por quarto ou quinto trabalho, chega a vez do esperado e sempre temido segundo álbum. E com Evenfall Schuller fez o dever de casa muito bem feito, trazendo novamente à tona seu dream-electro-pop recheado de eletrônica, órgãos, cordas e metais, e mantendo uma de suas características mais interessantes: a habilidade de criar melodias melancólicas de beleza dificilmente encontrada no pop, mas ritmadas de um jeito que se esperaria apenas de canções mais animadas.

A canção Open Organ, logo no início do álbum, ja evidencia que alem de multi-instrumentista, Schuller também é dono de uma voz invejável. Não que ele utilize de técnicas incríveis ou recursos sofisticados de canto; sua voz é é simplesmente carregada de emoção e paixão. Combinada com as crescentes camadas de instrumentos é difícil não se comover e ter a certeza de que, enquanto canta, a maior preocupação de Schuller é fazer sua voz superar um grosso nó garganta.

Embora a maioria das faixas abracem uma bandeira mais electro-pop, há também as exceções. Awakening, por exemplo, cujo começo erroneamente aponta para uma balada quase tão delicada como uma canção de ninar, cai numa explosão de guitarras e vocais agoniados, que, por alguma razão, trazem à cabeça alguns vários nomes do rock dos anos 80 que não dispensavam uma boa submersão em guitarras etéreas.

As incríveis The Border e Battle não teriam dificuldade alguma em fisgar, respectivamente, fãs de Rufus Wainwright e Radiohead. As inevitáveis comparações não chegam a colocar Schuller em risco reduzindo-o a mais um “genérico; pelo contrário, mesmo com as semelhanças aqui e ali, suas canções têm uma marca bem clara e são fortes o suficiente para não serem taxadas como uma simples imitação.

Evenfall, embora não tenha produção grandiosa, impressiona pela harmonia. Mistura eletrônica, orquestrações e voz, como se todos tivessem um papel equivalente. É um projeto luxuoso, emocionante e recheado de pequenos momentos especiais. E o primeiro vem logo na capa, uma colagem assinada pelo artista Agnes Montgomery, que também tem no portfólio a capa de Person Pitch, do Panda Bear. É o embrulho perfeito para um presente em forma de disco. De um subúrbio qualquer de Paris para o seu fone de ouvido.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Laroca - Valley of the Bears

Um duo de velhos amigos. Um, Olly Wakeford, músico classicamente treinado, domina piano e flauta. O outro, Rob Pollard já tentou carreira solo e, junto de Wakeford, já passou por várias bandas indies. Junto com uma cambada de outros músicos, eles formaram o Laroca com a pretensão de fazer um disco que eles mesmos iriam adorar escutar. Parece uma ideia óbvia, mas pode apostar que é algo que nem sempre passa pela cabeça de quem compõe. O resultado é Valley of the Bears, mais uma dessas trilhas sonoras de filmes que você nunca viu, porque, de fato, não existem. Um trabalho excêntrico e elegante, com bastante eletrônica, um agradável bocado de instrumentação real e toda dificuldade do mundo pra cair em alguma classificação. Eu, pelo menos, não me arriscaria a colocar qualquer rótulo. Mas uma dica eu posso dar: você vai fazer uma viagem por vários lugares do mundo.

http://www.myspace.com/larocauk

Awkwaaaaaaaard

Se você tem vergonha das fotos da sua família, pode ficar tranquilo. É só visitar o awkwardfamilyphotos.com e descobrir que há casos muito piores. Destaque para as legendas, sempre geniais.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Antes da maçã

Se você acha que a Apple e seus descoladíssimos Macs sempre foram a coisa mais cool do mundo, pode ir se preparando pra ficar um pouquinho envergonhado. Essa aí do lado é a primeira logomarca da empresa, desenvolvida em 1976 por Ronald Wayne, um dos fundadores. O engraçado é que ela durou muito pouco tempo, sendo substituída ainda no mesmo ano. Por que será, né? Grande surpresa. No lugar dela veio a maça colorida que permaneceu até 1998, quando suas cores, talvez um pouco GLS demais, sumiram.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Talvez eu não tenha vivido em vão

Li em excelente matéria de Tiago Zanoli em A Gazeta, sobre este livro "Talvez eu não tenha vivido em vão...", de Fabio Cyrino. Trata-se do registro do que disseram figuras celébres de toda a história em seu leito de morte. Fiquei supercurioso, principalmente depois de descobrir como foram os últimos momentos de Voltaire (1694-1778). Segundos os registros, pouco antes de sua "partida", um padre lhe pediu que renegasse o demônio. Voltaire, sem pensar duas vezes, disparou: "Meu bom homem, esta não é uma boa hora para se fazer inimigos". Convenhamos: GE-NI-AL. O livro tem 240 páginas, então pérolas não devem faltar. Eu quero!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Halves - Haunt Me When I'm Drowsy

E lá vêm mais auroras boreais. Desta vez um pouco menos setentrionais, mas ainda lá em cima. Pois o Halves poderia muito bem sair por aí dizendo que é uma banda da Islândia, quando na verdade são da Irlanda. Fazem aquela música de paisagens vastas e distâncias longínquas, mais como o Sigur Rós de antes e o Explosions in the Sky de sempre, sem esquecer da eletrônica delicada do Múm . É ar de trilha sonora, com aguardados clímaces (supondo que seja esse o plural de clímax) pra você ficar à vontade e fazer o filme como quiser. Não encontrei muita informação na internet sobre esses irlandeses, mas aparentemente Haunt Me When I'm Drowsy é o debut. Pra quem gosta do gênero, que não não tem lá tantos representantes, é óbvio que vale a audição.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Fim dos Tempos

Eu tenho que admitir que estava sim curioso pra ver mais esse filme de Shyamalan, a quem carinhosamente apelidei de Shamalayan- lamnlamshamalayan. Eu já assisti a algumas coisas deles, umas legais, outras horríveis, mas todas de alguma maneira interessante. Quando vi o trailer de O Fim dos Tempos, fiquei até empolgado. As pessoas pulando do prédio, se matando, parecia que algo de arrepiar estava a caminho, um filme desses que deixa a gente pensando por dias. Ai. Não deu. Tudo bem que o personagem interpretado por John Leguizamo morreu logo, e isso é uma benção, mas aguentar o Mark Wahlberg depois numa atuação digna de novela da Globo e diálogos que eu não acredito que alguém em sã consciência e com bom senso tenha escrito foi de doer. Tive que parar um pouco. Descansar. Refletir. Tinha que ter alguma razão pra aquilo tudo. Eu devia ter deixado algo importante passar. Não sei. Quando o filme terminou, eu vi que deixei o filme todo passar e não havia nada ali. Percebi que o trailer é muito melhor. Se você já o viu por aí, fique só com ele. Não sei o que o Shymalayhlamayanamayahama pretendia, mas fico preocupado com o futuro dele nas telas. Como diz Ty Burr, do Boston Globe, "parece que você não está assistindo ao fim do mundo e sim ao fim de uma carreira."

sábado, 9 de maio de 2009

Park Avenue Music - By Hearts+Horses

Piano tranquilo e cristalino. Eletrônica inquieta e distorcida. Uma melodia tenta se sobressair. Os ruídos fazem todo esforço pra impedir. Tentam se misturar e se camuflar. Batidas, knobs, frequência, ressonância, voz masculina, voz feminina. Junte tudo. Tudo vira uma coisa só. Delicada. Frágil. Sensação de madrugada em claro mesmo que seja manhã e você tenha dormido a noite inteira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

iSnort - I can't believe it's not cocaine

Quem já teve a oportunidade de vasculhar a Appstore, a loja online de aplicações para iPhone e iPod Touch, pôde reparar a quantidade incrível de programas inúteis e completamente dispensáveis. Não tou de maneira alguma criticando os dois brinquedinhos; eu mesmo tenho um iPod Touch e sou apaixonado por ele, afinal se você também considerar a quantidade de utilidades, aquilo é quase um notebook de tanta coisa legal. Só que desses programas inúteis e altamente deletáveis, a gente acaba conseguindo separar alguns que são engraçados demais para simplesmente serem ignorados. E é claro que nem sempre eles são de bom gosto. A polêmica do momento é o tal do iSnort. Não entendi bem se ele é de verdade ou se foi só uma montagem bem-feita, mas com certeza já deve ter uma molecada junkie doida pra se exibir com ele na próxima festinha descolada.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

William Basinski - 92982

E volta William Basinski, um músico não muito acessível e nada ordinário, com seu mais novo trabalho. E, assim como em seus discos anteriores, sobre um dos quais eu mesmo ousei escrever, 92982 consiste de loops que Basinski vem guardando em sua coleção de fitas há muito tempo, alguns desde 1982. E é por isso mesmo que são apenas quatro faixas, duas delas com pouco mais de vinte minutos. E assim ele continua a atuar, deixando seus sons se repetirem, ganharem vida própria e crescerem à sua própria maneira e vontade. E assim sua música vai se expandindo, reverberando, multiplicando e sendo multiplicada. E assim ele vai desafiando as convenções do que é música, de como ela deve ser feita e de pra que ele deve ser feita. E, ao escutar Basinski, eu continuo, ao mesmo tempo que desconfiado, também fascinado, curioso e não-sei-nem-o-sobre-o-que-pensativo. E se você tiver coragem e curiosidade, pode até arriscar uma audição. E se você não gostar, não precisa vir reclamar comigo, porque eu não tenho nada a ver com isso. E se você gostar, bem-vindo ao clube. Eu nem sei o que dizer.

domingo, 26 de abril de 2009

A onda Lego nos games e onda game nos Legos.

Não bastasse a onda de games baseados em Lego, como Lego Star Wars, Lego Batman e Lego Indiana Jones (que eu dizia ser uma bobagem, joguei, mudei de ideia e hoje adoro), alguns fãs gamemaníacos resolveram também prestar o seu tributo à tradicionalíssima marca de brinquedos. Achei no Flickr essa série de imagens de jogos clássicos reconstruídas com Legos de verdade e pensei: “nossa, como tem gente nerd no mundo.” Aí embaixo, só como exemplo, você pode conferir as cenas de Castlevania, bem no primeiro boss, e Mortal Kombat, no momento em que Sub-Zero executa um fatality no que parece ter sido Johnny Cage.​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​





sábado, 18 de abril de 2009

Long, long time ago, in a decade far, far away

Num post anterior, há não muito tempo, falei rapidamente sobre o meu fascíno com fotos antigas. Não é nada relacionado a técnica, necessariamente. É simplesmente o arrepio que sinto quando vejo uma pessoa numa foto de , digamos, 100 anos de idade. Fico meio besta pensando que essa pessoa morreu há tanto tempo, nasceu há mais tempo ainda e sua imagem, seu rosto, sua expressão, ficaram pra sempre registrados. Pois, de tanta curiosidade, fui pesquisar sobre o assunto e não demorei a descobrir a foto mais antiga de uma pessoa. Que ano? Pasme: 1838. A autoria é de ninguém menos que Louis Daguerre. O cenário é uma rua de Paris que, embora já muito movimentada na época, ficou vazia e aparentemente quieta na imagem. Isso porque a exposição foi de mais de 10 minutos e o tráfego não foi constante o suficiente para ficar registrado. A surpresa é o cavalheiro anônimo que, provavelmente polindo suas botas, ficou um bom tempo parado numa esquina e acabou retratado pra sempre. Agonia pensar que ele provavelmente nunca soube de sua façanha e que nós certamente nunca saberemos o nome dele.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Brainstorm na Microsoft / Ops, travou

Achei neste link aqui uma curiosa lista de imagens de um brainstorm da Microsoft sobre novas funções e a aparência do Windows 7. Junto de cada uma das imagens, que vão de simples anotações toscas até flashbacks a antiquíssimas versões do sistema, há comentários de Stephan Hoefnagels, designer da empresa de Bill Gates. É uma boa oportunidade para os interessados pela guerra dos OS's, nerds e curiosos saberem como funciona o processo de criação todo. Para entrar no clima, decidi fazer este post inteiramente no Windows 7, que andei testando com algum sucesso no meu MacBook (calma, fãs xiitas da Apple, eu uso o OSX Leopard 99% do tempo) e olha só a surpresa: o Internet Explorer 8 travou bem no meio do meu post e eu tive que começar tudo de novo, desta vez dentro do querido Firefox por segurança. Fora esse "presentinho" de última hora do Bill Gates, não desanimem não; o novo sistema ainda é uma versão beta, mas está no caminho certo e tem tudo pra ser um sucesso.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Dan Aykroyd Unplugged on UFO's

Momento nerd ultra deluxe plus special edition: achei no youtube e depois pelos torrents da vida um vídeo legal sobre ufologia com participação de Dan Aykroyd, aparentemente mais que um entusiasta do tema. É o Dan Aykroyd Unplugged on Ufo´s. Leva um tempinho pra olhar pra ele sem esperar uma piada, mas quando você saca que ele está ali falando sério e porque se interessa pelo assunto, fica impossível não achar que ele é realmente um especialista. Aí embaixo está a primeira parte no YouTube.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Metric - Fantasies

Ladytron-encontra-Garbage é como eu descreveria o Metric. Esses canadenses têm toda aquela coisa misturada de rock e maquiagem eletrônica, bem parecida com esses que citei, mas sem o lado sombrio e pesado do Ladytron e sem a produção pop e agora tão over do Garbage. Pretensão eles também não têm; são apenas um projeto de uma turma de Toronto que, assim como todo mundo no Canadá, tem 15 bandas cada um. Talvez por isso mesmo o Metric não impressione, não saia do lugar onde sempre esteve. Mas como é bonitinho, isso eu não posso negar, e tem a Emily Haines como vocalista, achei que valia uma citação. É só isso mesmo. Fantasies é o segundo disco depois de um hiato de 4 anos desde o debut, não tem nada de muito novo, então também não tenho muito o que dizer. Mas posso garantir riffs e refrãos ganchudos, se é só isso que você está procurando hoje.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

SHII - O WII para meninas

E pras meninas que não suportam os namorados jogando videogame, principalmente o Wii, aí vai uma possível solução, dica de Priscila Plinssken Perovano:

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tio, me dá um trocado? E um livro?













Achei na internet um artigo de Rodrigo Ratier (a fotografia é de Rogério Albuquerque), da revista Nova Escola, que não sei se tem a ver com o blog, mas achei tão interessante que não tive como evitar. Ele resolveu circular de carro por algumas ruas de São Paulo munido de uma coleção de 45 livros. Missão: ser abordado nos semáforos por crianças e jovens pedintes e, em vez de trocados, oferencer livros. Você pode achar a idéia absurda mas, segundo dados, 74% dessas pessoas afirmam ter tido pelo menos um mínimo de alfabetização. O resultado é que em 13 ofertas não houve sequer uma recusa. Confira aí o techo final da matéria.

"Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria. Carregava a pequena Vitória, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria."

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Breakfast at Sulimay´s

Eu já tinha falado sobre o Breakfast at Sulimay´s, mas aposto que você nunca entrou no meu blog antes (aliás, ninguém entra jamais). Mas então, trata-se de um programinha assim só de internet, eu acho, com três velhinhos escutando de indie-rock a hip-hop e fazendo suas análises. Claro que eles não gostam de quase nada e descem o verbo em tudo que lhes é mostrado. Na verdade, eu até achei um episódio em que eles elogiam o Beirut tocando Postcards from Italy, mas até agora acho que foi a única mesmo. Resolvi postar aqui um que adorei especialmente em que eles detonam o próprio Beirut (dessa vez não te elogiaram, Zach Condon, só te chamaram de 'happily named') e o Sepultura. E eles até mandaram um recado pro Brasil depos de ouvir a banda do Cavalera. Não perde isso não.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

God is an Astronaut - God is an Astronaut

God is an Astronaut é um nome que já tinha chegado a mim através de comentários, mas que eu nunca tinha parado pra pesquisar e escutar de verdade. Recentemente dei de cara com eles através do last.fm, com links pras músicas ali, a cliques de distância, arrisquei uma ouvidinha e fiquei imediatamente interessado. A sonoridade post-rock, com referências claras a Mogwai e Explosions in the Sky, ganha roupagem mais pop, estruturas mais tradicionais, mais ainda sem vocais. Apenas as paisagens e paredes de guitarras clássicas do gênero, sem a mesma profundidade e complexidade melódica. Talvez falte paciência, minuciosidade, não sei bem, mas ainda assim, vale a audição. O disco homônimo já é o quarto no catálogo, então você vai ter muito o que explorar dessa azarada banda irlandesa que teve todo seu equipamento roubado numa turnê pelos EUA. Imagina aquela guitarra que você levou semanas pra deixar reguladinha com uma afinação alternativa e exótica nas mãos de um vagabundo qualquer. Dói só de pensar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sega Death - 16 Bits from Hell

Medo. Quando ouvi esse disco eu tive medo. O cara realmente fez música a partir dos sons de um Mega Drive. Antes tivesse ele usado o processador de som do console. Não. Pelo que entendi, sendo que não entendi muita coisa, ele gravou loops quando retirava o cartucho do videogame sem desligá-lo antes. Então o disco foi feito tipo com esses sons "agarrados", esses que rolavam quando o jogo travava sem qualquer razão e a gente se sentia na obrigação de soprar o chip. Horas e horas de gravações, tentativas, diferentes combinações de sons "travados"e 16 Bits from Hell estava pronto. Eu achei que eu era nerd. Deixa pra lá. Eu gosto de música de videogame sim. Mas acho que tudo tem limite. Tá bom, adorei.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pure



















Adoro jogos de corrida. Adoro ter a oportunidade de dirigir carros que eu nunca vou ter a oportunidade de comprar a velocidades que nunca teria coragem de atingir na vida real. Adoro superesportivos, grandes sedãs, pequenos coupés e por aí vai. Entretanto, quando soube de Pure, da Black Rock Studio, para XBOX 360, PS3 e PC, não me empolguei muito. Um joguinho de corrida de quadriciclos, também conhecidos como ATV (All-terrain vehicle) em que você pode fazer manobras... não sei. Não me imaginava pagando 50 dólares num jogo para dirigir um simples quadriciclo. Mas por que não tentar? Baixei o demo da versão de XBOX 360 e fui ver como a coisa ia ser.

É, como eu fui preconceituoso. Pure é simplesmente o jogo mais divertido e surpreendente que eu vi em algum tempo. É simplesmente impossível não gostar, logo de cara, vendo o game rodando na sua frente. Os cenários e paisagens são incríveis, os gráficos muito bem trabalhados, a trilha sonora na medida e as manobras de tirar o fôlego. Nos primeiros segundos, a excelente jogabilidade já envolve você suficientemente para que até o treinamento, antes da corrida propriamente dita, seja já empolgante. Quando a corrida começa, então, você já não quer mais largar.

A jogabilidade exige algum treinamento, mas não é nada frustrante. Com alguns minutos de tutorial, você já consegue aumentar os saltos, executar as manobras mais simples e, após algumas corridas, já até começa a arriscar as mais ousadas. O sistema é simples: você começa com as manobras mais fáceis e, dependendo da sua performance, você destrava novas opções. Claro que coisas absurdas aparecem, como manobras impossíveis e saltos que levariam qualquer um à morte, mas o fato é que a diversão envolvente deixa você longe de qualquer questionamento desse tipo enquanto você tem o joystick na sua mão. Você só quer mais e mais.

Infelizmente só coloquei as mãos no demo, mas, pelo menos, já mudei de idéia sobre nunca comprar um jogo de quadriciclos. Pure já entrou para a minha lista de futuros investimentos e de jogos mais divertidos e emocionantes do XBOX 360. Pelo visto, os carrõs esportivos e superpotentes de Forza, Grid e Project Gotham Racing IV vão ter que se contentar com essa concorrência inusitada. Eles que se preparem.

terça-feira, 24 de março de 2009

Fever Ray - Fever Ray

Que surpresa! Fever Ray é o projeto solo de Karin Dreijer e eu ainda não tinha ouvido falar. Ok, Karin Dreijer pode não ser um nome que traga muitas lembranças, mas de repente as coisas mudem se eu disser a você que ela é a "mulherzinha" do The Knife. Ok, se ainda nenhum efeito surtiu, não adianta continuar tentando. The Knife é um nome que não chegou a muita gente e não sei se muita gente também os colocaria em seus mp3 players, mas o fato é que quem os colocou, não conseguiu mais tirar. Desde o primeiro álbum de sucesso (segundo na discografia de full-lengths) Deep Cuts chegou aos meus ouvidos, eu não parei mais de escutar. Foi paixão imediata e fascínio absoluto por aquela coisinha eletroniquinha feita de sons que, pelo menos à primeira audição, soavam vagabundos-8 bits-analógico-cheesy ou sei-lá-mais-o-quê porque não sei se vou encontrar algum termo cujo sentido inclua todas essas palavras aí. Eu realmente tinha certeza que nunca ouvira nada parecido e hoje fico feliz ao perceber que tampouco vi algo similar depois deles (e bem que tentei imitar por contra própria). Quer dizer, até agora. O disco de estréia do Fever Ray tem muito em comum com o The Knife, particularmente com o segundo trabalho Silent Shout, que também foi um sucesso e ainda baseado nos mesmos tipos de timbres (provavelmente ainda feitos pela minha tão sonhada Elektron Machinedrum), porém com uma sonoridade mais introspectiva, etérea e, por que não também, madura. Karin continua com sua voz sexy e abusando dos mesmos efeitos de voz estranhíssimos e bizarros, mas que parecem funcionar dentro do que a música se propõe a ser. E as melodias deliciosas continuam lá, inteirinhas, sombrias e cheias de textura, como nas faixas When I Grow Up e Seven. Já escutei o disco algumas vez e, embora admita que não tenha sido o mesmo impacto causado pelo The Knife, afinal nem tudo aqui é tão inédito, já posso dizer que gostei do que ouvi. A curiosidade agora é se Olof Dreijer, irmão de Karin e seu querido parceiro do The Knife, também vai se arriscar em seu projeto paralelo. Eu não me importaria nem um pouco. Acho que seria muito bem-vindo

Maratona Ovni














Difícil dormir cedo quando o Discovery Channel decide atravessar a madrugada com uma maratona de documentários sobre ufologia. O problema é que era a noite de domingo pra segunda e o primeiro dia de trabalho da semana acabaria virando uma maratona zumbi. Topei o desafio mesmo assim e acabei assistindo uns três ou quatro documentários seguidos. Eram 4 horas da manhã quando decidi que não tinha forças mais, mas valeu a pena. O destaque ficou para um episódio de casos aparentemente incríveis e incontestáveis que, com muita pesquisa e embasamento científico, foram devidamente explicados, um como farsa e o outro como simples histeria frente a fenômenos fisicos e electromagnéticos. Os episódios têm mais algumas exibições agendadas. Os curiosos que fiquem de olho. Inclusive no céu.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sons do passado. E do além também.















Eu tenho uma coisa estranha com fotos antigas. Quanto mais velha, mais gosto de olhar e mais tempo passo admirando. É estranho saber que alguém parou há tanto tempo para registrar aquele momento, aquele lugar, aquele rosto. Mais estranho ainda pensar que aquela pessoa na janela numa foto de 1870 já morreu e aquela criança assustada e desconfiada na foto de 1895 também já viveu uma vida inteira e já nem existe mais. Sentimento parecido eu tenho com gravações antigas.

A descoberta mais fascinante que fiz recentemente foi este site criado pela Universidade de Santa Barbara, na Califórnia, lotado de gravações feitas a partir da década de 1870, utilizando o fonógrafo criado por Thomas Edison e equipamentos similares. Os cilindros contendo as gravações ainda não tinham sido reproduzidos até 2008, quando foram também digitalizados e disponibilizados integralmente através desse site. É um verdadeiro tesouro que pouca gente sequer imagina que existe. Você vai achar bandinhas tocando ragtime e jazz, grupos de spiritual, sermões, discursos, polkas e tudo mais que você imaginar que tenha se ouvido ali pelo final do século XIX e início do XX.

Simplesmene... arrepiante.

domingo, 15 de março de 2009

Kanye West - 808s and Heartbreaks

Não que eu entenda alguma coisa de hip-hop e rap, mas vou me arriscar a falar sobre Kanye West e seu recente 808s and Heartbreaks. E não vai ser à toa; é que eu realmente gostei. Já havia escutado seu Graduation, o disco que de fato o trouxe à fama, mas ainda não tinha captado o que o elevou ao status de estrela da música pop, aclamado tanto pela crítica mainstream como até por alguns indies. O que primeiro me atraiu foi o nome do álbum. Na primeira vez que li o 808 no nome, já ficou claro que era uma referência direta à velha Roland 808, clássica e eterna drum-machine dos anos 80. E logo depois de ouvir o álbum, a escolha impecável de timbres foi apenas um dos fatores me fez gostar de vez. A produção tem um quê de lo-fi, mas uma elegância inegável. Kanye abusa de coros e orquestrações que, eu suponho, são sintéticas, mas que nem por isso empobrecem o trabalho. Alguns efeitos do tipo auto-tune na voz podem incomodar algumas pessoas, mas pra mim soaram muito bem dentro do contexto. Depois das três primeiras faixas, 'Say You Wil', 'Welcome to Heartbreak' e 'Heartless' eu já desconfiava que este seria um álbum que eu ouviria incansavelmente pelas próximas semanas. Com hits imediatos como 'Love Lockdown' e 'Robocop' e melodias viciantes, eu não tinha mais dúvidas. Fiquei depois pensando sobre quantas coisas do tipo eu já posso ter perdido por puro preconceito idiota com rap ou hip-hop ou seilácomochamar esse tipo de música. Eu sempre soube da fama de excelentes produtores que alguns deles têm, e observo isso frequentemente em discos produzidos por eles, mas nunca havia realmente parado para escutar um trabalho do gênero. Acho que estou arrependido.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Old indies

Imagine juntar três velhinhos super simpáticos num café, fazê-los escutar um pouquinho de música indie, pop, rock ou rap e descobrir o que eles pensam? Ting Tings, The National, Animal Collective. Pouca gente escapou. Hilário. Aproveitem:

http://www.scrapple.tv/view.php?id=3#shows

domingo, 18 de janeiro de 2009

Windows 7










A Microsoft surpreendeu todo mundo semana passada quando liberou para download a versão beta do mais novo integrante da família Windows, o Windows 7. Eu não aguentei esperar muito e fiz o download de mais de 2GB (que durou alguns dias, claro, afinal eu moro em Vitória e o Velox aqui é uma vergonha), muito curioso pra ver o resultado. Mesmo tendo já mudado pro outro lado da força (leia-se o lado de Steve Jobs) e estando plenamente satisfeito com um Mac e o OSX Leopard, não consigo perder o interesse no Windows, no Ubuntu e em quaisquer outros sistemas operacionais que estejam lutando por um futuro sem tela azul, travamentos, lentidão, incompatibilidades, etc.

Tão curioso eu fui que usei o Boot Camp pra particionar o HD do meu MacBook e, em seguida, instalar o Windows 7. Não é que funcionou? Até o drivers para Windows XP e Vista, disponíveis do DVD do Leopard, funcionaram. Ou seja, absolutamente todos os componentes do MacBook (desde que Intel, claro) são compatíveis com o Windows 7.

O Windows 7 lembra muito o visual do Vista, com exceção da barra de tarefas, mais profundamente alterada. Ela, aliás, é o novo destaque do sistema, pois traz novas funções muito úteis e práticas ao usuário. Os programas abertos aparecem apenas como um ícone, como se todos estivessem agora fazendo parte da barra de atalhos rápidos. Se você passa o mouse em cima, uma miniatura do programa aparece logo em cima, assim como já acontecia no Vista, mas com algumas novidades. Se estiver usando o Internet Explorer, por exemplo, e com mais de uma aba aberta, você vai ver as miniaturas de todas as abas dispostas lateralmente. Se colocar o cursor sobre o ícone do Media Player, terá sua miniatura e também os botões de pause, avanço e retrocesso.

Em termos de leveza e velocidade, o Windows 7 também parece um avanço. E olha que eu já achava o Vista rápido e estável. Vale lembrar que estou usando um MacBook Core 2 Duo de 2,4 Ghz e 2gb de RAM, que é uma excelente configuração; impossível afirmar se o sistema também ficaria leve num PC de apenas um core, por exemplo.

Os programas abrem rapidamente, as buscas são instantâneas e nada levou muito tempo pra acontecer. Vez ou outra, presenciei alguns glitches gráficos e achei o processo de desligamento meio lento, mas vale lembrar que esta é apenas uma versão beta, lançada exatamente com o intuito de expor sistema e ter um feedback dos usuários sobre possíveis correções.

O Windows 7 é a chance da Microsoft de recuperar a imagem injustamente prejudicada pelo Vista. Desta vez, os nerds de Gates evitaram grandes promessas e divulgaram amplamente o Windows 7 desde a versão beta, uma ótima idéia para que todo mundo realmente tenha a chance de experimentar seu mais novo produto. O Vista já tem mais utilização no mercado do que o temível XP teve no mesmo tempo de vida, é mais estável, muito mais seguro, mas continua sofrendo de boatos, mitos e injustiças, a maioria vinda de pessoas que nunca sequer o utilizaram ou, é claro, tentaram rodá-los em máquinas com configuração abaixo da recomendada. Com o Windows 7 já mais publicamente conhecido antes do lançamento, pode ser que o a coisa funcione.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Lindstrøm - Where You Go I Go Too


Eu nunca escondi uma atração por música atmosférica e espacial, daquelas que não se prendem muito a qualquer estrutura e quase soam acidentais, se é que algumas não são. E foi exatamente assim que me soaram, de súbito, os primeiros minutos do disco Where You Go I Go Too, do norueguês Lindstrøm - Where You Go I Go Too. A diferença é que, após o inicio com bases atmosféricas, discretas notas de - provavelmente - guitarra soterrada em efeitos e subseqüentes synths analógicos, apareceram batidas. O que poderia então, em um outro contexto, ser mais um Belong ou um Eluvium, passou a ser um Belong ou um Eluvium com batidas. Não que isso torne a música Lindstrøm inovadora; na verdade, ela até traz à mente algumas referências do passado, soprando aquele ar futurista, cósmico e sci-fi dos anos 70. As batidas têm um quê de disco e, segundo alguns comentários, poderia fazer do norueguês um dos precursores da improvável - a não ser que você consiga imaginar isso como uma tendência - space-disco. Talvez exatamente por isso, afinal ele não pretendia embolar a cabeça de ninguém, Lindstrøm tenha feito um disco de apenas três faixas, sendo uma de quase meia-hora e outras duas na casa dos dez e quinze minutos, respectivamente. Assim, o norueguês conseguiu construir as músicas com paciência e precisão, gastando as idéias com inteligência e parcimônia. Nada acontece antes ou depois tempo; as faixas simplesmente acontecem e você chega à conclusão de que teria feito da mesma maneira e no mesmo ritmo.